São Paulo elabora plano estratégico para combater mau cheiro na Billings
O governo de São Paulo iniciou a articulação estratégica de um plano de trabalho integrado para enfrentar o mau cheiro na represa Billings, um dos principais mananciais da região metropolitana. A iniciativa debatida em reunião convocada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Unidade Regional de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (URAE 1 Sudeste), com a participação de órgãos estaduais e municipais, forças de segurança, concessionárias de saneamento e representantes da sociedade civil.
No encontro ficou definido que uma coordenação mais centralizada diante de um problema classificado como estrutural, associado ao lançamento irregular de esgoto, à ocupação desordenada do solo e à degradação ambiental no entorno do reservatório. Esses fatores têm impacto direto na qualidade da água e estão na origem dos episódios recorrentes de odor intenso registrados na Billings. A Semil tem como objetivo evitar a fragmentação de iniciativas entre diferentes órgãos e ampliar a efetividade das ações. A articulação envolve instituições como a Cetesb, a Sabesp, a Polícia Militar Ambiental, a EMAE e a Prefeitura de São Paulo. As discussões integram o Plano de Ação Integrado para a Billings, iniciado neste mês, que prevê um cronograma escalonado de medidas até 2028, estruturadas em eixos como saneamento básico, fiscalização ambiental integrada, monitoramento da qualidade da água e zeladoria urbana.
Dados técnicos apresentados indicam que determinadas áreas do reservatório concentram cargas elevadas de fósforo, substância ligada ao despejo de esgoto doméstico e ao processo de eutrofização da água, que favorece a proliferação de algas e intensifica o mau cheiro. Em alguns trechos, a carga poluidora chega a ser até quatro vezes superior ao limite ambientalmente adequado. Com essas informações, o governo estadual definiu áreas prioritárias para uma primeira fase de intervenções, inicialmente concentradas no município de São Paulo. A expectativa é ampliar gradualmente o programa para outros municípios da bacia, com monitoramento periódico dos resultados e atualização contínua dos dados técnicos.
A Sabesp apresentou ações previstas no contrato de universalização do saneamento até 2029, incluindo investimentos em áreas consideradas vulneráveis, considerando o contrato de concessão vigente. Paralelamente, órgãos ambientais e forças de segurança detalharam a atuação conjunta para coibir novas ocupações irregulares no entorno da represa, frequentemente associadas ao agravamento da poluição do manancial. Quanto às fiscalizações, as ações destacam-se para novas diretrizes definidas em 2023 e devem ser ampliadas a partir de março, com integração à Operação Integrada de Defesa das Águas (Oida) e, em uma fase posterior, ao Grupo de Fiscalização Integrada (GFI), com alcance estendido a outros municípios da bacia. “O enfrentamento do mau cheiro na Billings exige uma atuação integrada, contínua e baseada em dados técnicos”, afirmou Roberta Buendia, secretária-executiva da URAE 1 Sudeste.
O monitoramento ambiental inclui a atualização do MQUAL, modelo que relaciona uso do solo e qualidade da água, incorporando dados mais recentes sobre esgotamento sanitário e cargas poluidoras. Os resultados devem orientar a priorização de investimentos e a avaliação do cumprimento das metas ambientais previstas na legislação de proteção aos mananciais. No eixo de saneamento, o cronograma prevê intervenções de curto, médio e longo prazos. Já em 2026, foram identificados núcleos informais que integram a nova fase de atendimento, com obras de coleta e tratamento de esgoto em execução desde fevereiro e conclusão prevista para outubro. Outras etapas incluem a identificação de novos núcleos até 2028, com ampliação da cobertura de saneamento na bacia, além do retrofit de estações elevatórias e ações permanentes de manutenção da rede. A Prefeitura de São Paulo será responsável pelo eixo de zeladoria urbana, com atividades contínuas voltadas à limpeza e conservação de áreas públicas no entorno da represa. O plano também prevê a consolidação de um sistema permanente de governança para a Billings, com reuniões periódicas e definição clara de responsabilidades, na tentativa de institucionalizar o acompanhamento das ações e acelerar respostas a episódios críticos, como os registrados em períodos de estiagem ou de altas temperaturas.