São Paulo investe quase R$ 25 bilhões desde 2023 em iniciativas
O Governo de São Paulo investiu cerca de R$ 25 bilhões, desde 2023, em um conjunto integrado de programas, obras e ações voltadas à segurança hídrica, ao combate às enchentes e à adaptação às mudanças climáticas. Coordenadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da SP Águas, as iniciativas alcançam todas as regiões do Estado e articulam recuperação ambiental, infraestrutura urbana e fortalecimento da gestão dos recursos hídricos. As medidas contribuíram para ampliação de forma significativa da capacidade de prevenção, monitoramento e resposta do Estado a eventos climáticos extremos, com impactos diretos na redução de riscos, na garantia do abastecimento de água e na melhoria da qualidade de vida da população.
O Programa Integra Tietê reúne um conjunto integrado de ações estruturais, com destaque para a ampliação do tratamento de esgoto, eixo de maior volume de investimentos. A partir de 2024, os recursos feitos pela Sabesp passaram de R$ 1,1 bilhão em 2023 para mais de R$ 20 bilhões em execução e contratação entre 2024 e 2026, permitindo a conexão de mais de 800 mil domicílios à rede de esgoto e beneficiando cerca de 2,5 milhões de pessoas, inclusive em áreas anteriormente não atendidas. Além do saneamento, o Integra Tietê contempla intervenções de recuperação física dos rios, como o desassoreamento, fundamental para ampliar a capacidade de escoamento, reduzir riscos de enchentes e melhorar as condições ambientais da bacia.
Com isso, desde 2023 foram removidos 4,91 milhões de m³ de sedimentos, sendo 4,3 milhões de m³ correspondem aos rios Tietê e Pinheiros, e outros 613 mil m³ vieram de piscinões da Região Metropolitana. “O Integra Tietê foi estruturado para atuar de forma integrada sobre os principais fatores que impactam a bacia: investimentos robustos em saneamento reduzem de maneira permanente a carga poluidora e a pressão sobre o rio, enquanto as ações de desassoreamento e as obras de macrodrenagem ampliam a capacidade hidráulica do sistema, mitigando riscos de enchentes. O monitoramento contínuo e o fortalecimento da fiscalização asseguram que os avanços obtidos sejam consolidados e sustentáveis ao longo do tempo”, explica Natália Resende, secretária da Semil.
As ações na bacia do Tietê, como o programa Rios Vivos, voltado à revitalização de cursos d’água em outras bacias hidrográficas do Estado, já atendeu 170 municípios desde 2023, com a remoção de 4,2 milhões de m³ de sedimentos e investimentos da ordem de R$ 290 milhões. Além de melhorar a vazão e contribuir para a garantia de água mais limpa para abastecimento, o programa promove a revitalização de áreas ribeirinhas, incentivando o uso público para lazer, convivência e atividades físicas. No eixo de monitoramento e prevenção, o Governo do Estado modernizou a Sala de Situação São Paulo, que recebeu R$ 20 milhões em investimentos. O espaço engloba sistemas, tecnologias e equipes especializadas dedicadas ao acompanhamento contínuo das condições de chuva, vazões, cotas de rios e níveis dos principais reservatórios do Estado.
As informações são coletadas, integradas e disponibilizadas de forma contínua e confiável para subsidiar gestores públicos, órgãos setoriais e equipes de resposta, tanto em situações de normalidade quanto em cenários críticos. Em conexão direta com o Gabinete de Emergência da Defesa Civil, a sala emite boletins diários que antecipam riscos, orientam ações preventivas e apoiam a tomada de decisão para redução de danos.
Com o aumento da frequência e da intensidade das chuvas associado às mudanças climáticas, o Governo de São Paulo reforçou os investimentos em obras estruturais voltadas à redução de riscos de enchentes e, desde 2023, por meio da SP Águas, quase R$ 1 bilhão foi destinado à implantação de reservatórios de contenção de cheias, os chamados piscinões. Na bacia do Ribeirão Eusébio, em Franco da Rocha, está em execução um sistema integrado de seis reservatórios, projetado para reduzir picos de vazão durante eventos críticos. Outro destaque é o piscinão Jaboticabal (RM-19), que reforçará o controle de inundações na região do ABC e em parte da capital. Com investimento de R$ 573 milhões, o reservatório ampliará a proteção de uma área de influência de até 100 km², beneficiando diretamente São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e São Paulo.
Na capital paulista, o novo piscinão RA-01 e a canalização do córrego Antonico, na zona sul de São Paulo, vão reduzir alagamentos nas regiões do Morumbi e Paraisópolis, beneficiando cerca de 1 milhão de pessoas. A obra recebe R$ 150,5 milhões em investimentos. A canalização de rios e córregos segue como uma das medidas estruturais mais relevantes para a proteção das cidades. Ao estabilizar margens e direcionar o fluxo de forma controlada, essas obras aumentam a capacidade de escoamento e reduzem enchentes, especialmente em áreas densamente ocupadas. No Estado, intervenções concluídas e em execução somam R$ 218,7 milhões, abrangendo mais de 16,6 km de trechos de rios e córregos.
As barragens de Pedreira e Duas Pontes estão entre os principais empreendimentos de segurança hídrica do Estado. Estratégico para ampliar a oferta de água na região de Campinas, o programa reúne investimentos de cerca de R$ 1,6 bilhão. Localizadas nos rios Camanducaia e Jaguari, as estruturas vão aumentar a disponibilidade hídrica da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e contribuir para o controle de cheias. Juntas, as barragens terão capacidade para armazenar 85 bilhões de litros de água — 32 bilhões em Pedreira e 53 bilhões em Duas Pontes. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) segue como principal instrumento de financiamento para ações de proteção, recuperação e gestão sustentável da água, com foco na ampliação do saneamento, controle de perdas, obras de drenagem, manejo de resíduos e fortalecimento da governança hídrica municipal.
Entre 2023 e 2025, o Fehidro contratou R$ 926,4 milhões em investimentos, sendo R$ 799,5 milhões destinados diretamente aos municípios. Desse total, R$ 731 milhões financiaram iniciativas estruturantes, incluindo drenagem urbana (R$ 213,4 milhões), ampliação e modernização do esgotamento sanitário (R$ 196,7 milhões), controle de perdas em sistemas de abastecimento (R$ 114,6 milhões), planejamento e gestão de recursos hídricos (R$ 106,9 milhões), contenção de processos erosivos (R$ 57,4 milhões) e manejo de resíduos sólidos (R$ 42 milhões). Somente em 2025, o programa atendeu 222 municípios, com R$ 435 milhões contratados. No mesmo período, 362 obras permaneceram em execução, totalizando R$ 464,3 milhões, sendo 96% conduzidas diretamente pelas administrações municipais. Também foram concluídas 196 obras, com investimento de R$ 170 milhões, beneficiando 125 municípios e contribuindo para maior eficiência hídrica, segurança urbana e resiliência climática em todo o Estado.