Iguá investe pesado para atender demanda no verão

20/01/2026
A combinação entre temperaturas elevadas, consumo intensificado e redução da disponibilidade hídrica exige uma preparação diferenciada.

A Iguá Saneamento adotou um plano integrado de atuação para reforçar a estabilidade dos sistemas de abastecimento durante o verão quando a demanda e a pressão sobre os mananciais tornam o período especialmente desafiador para o setor, ao exigir maior precisão operacional, obras preventivas e o fortalecimento das ações de combate às perdas hídricas. “A combinação entre temperaturas elevadas, consumo intensificado e redução da disponibilidade hídrica exige uma preparação diferenciada. No verão, cada decisão operacional tem impacto direto na segurança do abastecimento. Por isso, reforçamos equipes, ampliamos obras estruturantes e aprimoramos o controle das redes para garantir estabilidade mesmo em condições extremas”, afirma Paula Violante, diretora executiva de Operações da Iguá Saneamento. 

Em Sergipe, a Iguá estruturou um Plano Verão com mais de 20 intervenções distribuídas pelo estado, que incluem medidas como a reabilitação de adutoras, a ampliação de reservatórios, a implantação de novas Estações de Tratamento de Água modulares e melhorias em setores críticos de distribuição. Todas essas obras beneficiam mais de 620 mil pessoas no Sertão e no Agreste. A operação também intensificou a substituição de hidrômetros, o combate a irregularidades, a instalação de macromedidores e o monitoramento em tempo real por meio do Centro de Controle Operacional. Em Cuiabá, após um período atipicamente mais seco registrado ao longo de 2024, a companhia estruturou um comitê interno dedicado ao acompanhamento dos mananciais e à definição de manobras operacionais preventivas, como a ampliação temporária da frota de caminhões-pipa, o reforço do controle de pressão nas redes, a intensificação da detecção de vazamentos não visíveis e a aceleração da substituição de trechos antigos da malha. Com a proximidade da estação chuvosa, prevista para iniciar a partir de janeiro, as medidas adotadas visam fortalecer a capacidade de resposta do sistema e garantir maior segurança operacional durante a transição climática.

A Iguá adotou em Cuiabá o sistema israelense TaKaDu, uma plataforma de monitoramento inteligente que utiliza IA e analisa continuamente dados para detectar anomalias em tempo real, permitindo identificar eventos em estágios iniciais e orientar intervenções antes que ocorram impactos perceptíveis aos consumidores. As ações são acompanhadas de iniciativas sociais, como a doação de caixas d’água para famílias vulneráveis, garantindo reserva mínima em momentos pontuais de maior instabilidade. Já no Rio de Janeiro, a Iguá implantou, em 2023, o Plano de Resposta à Estiagem, com investimentos de cerca de R$ 6 milhões para mitigar os efeitos da escassez hídrica que historicamente impacta a região. Entre as medidas, a instalação de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) Móvel anexa à ETA Fragoso, que elevou em 33% a produção local e contribuiu para reforçar o abastecimento em Miguel Pereira e Paty do Alferes nos meses mais críticos, quando a incidência de chuva cai drasticamente. Em parceria com a Prefeitura de Paty do Alferes, a companhia também interligou poços artesianos na localidade de Arcozelo, ampliando a segurança na disponibilidade de água. O plano incluiu ainda ações estruturantes, como a intensificação da pesquisa de vazamentos não visíveis e a regularização de ligações para coibir fraudes, reduzindo o volume de água desviada. 

No litoral do Paraná, a operação da Paranaguá Saneamento reforçou seu Plano Verão diante da alta temporada e do aumento da população flutuante na Ilha do Mel, que passou a receber até 11 mil visitantes por dia após a atualização do marco legal local, que redefiniu os critérios de controle e o limite diário de acesso de visitantes à ilha, equilibrando atividade turística, preservação ambiental e a capacidade dos serviços públicos. Ao longo de 2025, a concessionária executou ações preventivas para garantir regularidade no abastecimento e maior resiliência do sistema em um território caracterizado por restrições naturais à disponibilidade de água doce, infraestrutura limitada e regras ambientais rigorosas, por se tratar de uma área de proteção ambiental. Após todas as obras de prevenção e melhorias no sistema, não foi constatada nenhuma oscilação relacionada ao abastecimento na Ilha, mesmo com o grande fluxo de turistas, segundo a empresa. Essas ações incluíram o rebaixamento de redes de distribuição; a intensificação da pesquisa de vazamentos não visíveis; interligações para melhor gerenciamento de pressão; e melhorias nas Estações de Tratamento de Água, com limpeza de estruturas de captação, modernização de equipamentos, ampliação da capacidade de poços e reforço da reservação fixa e flexível (armazenamento estratégico de água tratada ou bruta em reservatórios), para atender aos picos de consumo do verão. Também houve investimentos em automação e controle operacional, com novos medidores de vazão, retrofit dos sistemas supervisionados e reforço da produção de água no município de Alexandra, com a entrada em operação de um novo poço tubular, ampliando a segurança hídrica da região no período de maior demanda. “No saneamento, cada operação tem uma dinâmica própria e o verão evidencia ainda mais essas diferenças. Por isso, adotamos uma gestão preditiva orientada ao território, que combina cenários climáticos, comportamento de consumo e características da infraestrutura de cada localidade. Essa leitura fina nos permite ajustar antecipadamente a capacidade de produção, direcionar recursos e preparar as equipes de acordo com a demanda específica de cada região, garantindo continuidade mesmo diante de alterações climáticas significativas”, explica Paula. 

No Agreste de Alagoas, a Parceria Público-Privada (PPP) da Iguá com a Companhia de Água e Esgotos de Alagoas (Casal) para produzir água tratada segue com um plano de contingência para estiagem, que combina monitoramento constante das captações, ajustes no tratamento e reorientação das equipes de campo, conforme o comportamento das vazões. A região tem registrado verões severos, e a Iguá adota protocolos para proteger colaboradores expostos às altas temperaturas, com reforço de hidratação, equipamentos adequados e reorganização das rotas, a fim de reduzir o tempo de trabalho sob sol intenso. Já em Mirassol, interior de São Paulo, a Sanessol concluiu um conjunto de obras estruturantes que ampliam a resiliência hídrica do município. A construção de uma nova adutora, as interligações entre reservatórios e a setorização da rede aumentaram a capacidade de resposta frente a picos de demanda, ao mesmo tempo em que reduziram a pressão sobre trechos sensíveis da distribuição. A operação também intensificou ações de combate às perdas, fundamentais em períodos de maior consumo. 

Nas operações, a Iguá ampliou a capacidade de identificar vazamentos não visíveis e corrigir falhas de rede antes que causem impacto ao abastecimento. A pesquisa de vazamentos, por exemplo, alcançou índice de assertividade de 95,5%, ante 88,3% no início do programa, o que permitiu aumentar a eficiência das equipes em campo durante meses de maior demanda. Em paralelo, a empresa reforçou o combate a fraudes e ligações irregulares e elevou em 295% os ganhos mensais associados a esse tipo de ação entre 2024 e 2025, passando de R$ 2,6 milhões por mês para R$ 7,5 milhões mensais. Esses ganhos decorrem da regularização de consumos não medidos ou submedidos e da recuperação de volumes que antes eram perdidos no sistema, contribuindo diretamente para a redução de desperdícios em um momento em que cada metro cúbico preservado ganha relevância adicional. 

A companhia também investiu na troca de hidrômetros por um combinado de hidrômetros inteligentes e convencionais que garantiu aumento de 13% no volume medido e uma variação positiva de 12% no faturamento após a troca dos dispositivos antigos, com impacto direto na sustentabilidade operacional das concessões. Desde 2022, com a aplicação do algoritmo de trocas preventivas de hidrômetros, a companhia acumulou R$ 92 milhões em receita adicional, aprimorando o acompanhamento dos padrões de consumo e reduzindo perdas em períodos de maior demanda. O uso de sensores, automação e Centros de Controle Operacional complementa esse esforço. O monitoramento contínuo de pressões, níveis e vazões em tempo real orienta manobras diárias e respostas imediatas aos eventos típicos do verão, ao mesmo tempo em que amplia a previsibilidade dos sistemas e reduz riscos.  “A água é um insumo essencial para uma concessionária de saneamento, e proteger esse recurso orienta todas as nossas decisões operacionais. Não se trata apenas de entregar eficiência hoje, mas de assegurar que o sistema tenha resiliência para enfrentar verões cada vez mais quentes e cenários climáticos mais desafiadores. Por isso, nossas ações combinam tecnologia, gestão inteligente da rede e rigor na redução de perdas, garantindo abastecimento com segurança no presente e no futuro”, conclui a diretora.