Leptospirose mata mais de 2 mil pessoas até setembro de 2025

21/01/2026
As inundações favorecem a persistência da bactéria no ambiente, aumentando o número de casos, especialmente nos períodos de calor e chuvas.

O Ministério da Saúde divulgou que o Brasil registrou 2.103 casos de leptospirose até o 23 de setembro de 2025, com 164 mortes confirmadas. A doença é provocada pela bactéria Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com a urina de animais infectados, sobretudo ratos, presente em água e lama contaminadas, e muito comum no verão com a fortes chuvas e enchentes em diversas cidades brasileiras.

“A Leptospira pode penetrar no organismo por pequenas lesões na pele, pelas mucosas ou pelo contato prolongado com água contaminada. As inundações favorecem a persistência da bactéria no ambiente, aumentando o número de casos, especialmente nos períodos de calor e chuvas”, explica a infectologista do São Cristóvão Saúde, Dra. Michelle Zicker. A leptospirose pode iniciar de forma leva e apresenta como primeiros sintomas febre, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos e dores musculares, principalmente nas panturrilhas. “Esse tipo de dor muscular, quando presente, pode levantar a suspeita da doença”, destaca a infectologista. Cerca de 15% dos pacientes evoluem para formas graves após a primeira semana. Nesses casos, a doença pode causar a chamada síndrome de Weil, caracterizada por icterícia intensa, insuficiência renal e hemorragia pulmonar, condições potencialmente fatais. O tratamento é feito com antimicrobianos e apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente. Enquanto os casos leves podem ser acompanhados em ambulatório, os quadros graves exigem internação hospitalar. A automedicação não é indicada e pode agravar o estado de saúde.

A leptospirose está diretamente relacionada a condições sanitárias precárias e à proliferação de roedores. Por isso, a prevenção depende tanto de cuidados individuais quanto de ações de saneamento básico. Entre as principais recomendações estão o consumo apenas de água potável, fervida, filtrada ou tratada com hipoclorito de sódio (duas gotas de água sanitária por litro, aguardando 30 minutos antes do consumo); Higienizar móveis e superfícies atingidas por enchentes com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% (duas xícaras de chá para cada 20 litros de água), deixando agir por 15 minutos; Evitar contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças brinquem nesses locais; Utilizar botas e luvas de borracha durante a limpeza de áreas alagadas; Manter o lixo bem acondicionado, vedar caixas d’água, ralos e frestas, e reforçar o controle de roedores e Garantir que banheiros e fossas estejam bem vedados para evitar contaminação da água potável. “As enchentes representam um risco significativo à saúde, mas a prevenção e a atenção aos sintomas fazem toda a diferença. Ao apresentar qualquer sinal suspeito, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre o contato com áreas alagadas”, orienta a Dra. Michelle Zicker.