Taxa de desmatamento é a menor em 11 anos

13/02/2026
"Os dados indicam que o Brasil tem potencial para alcançar a menor taxa de desmatamento da série histórica, o que é um avanço importante e comemorável, mas ainda é preciso cautela."

O Governo Federal divulgou que a taxa estimada de desmatamento na Amazônia para o período de 2025 é de 5.796 km², a menor em 11 anos. Apesar da boa notícia, o atual cenário de retrocesso ambiental no Congresso Nacional e os cortes orçamentários para a área preocupam. “Os dados indicam que o Brasil tem potencial para alcançar a menor taxa de desmatamento da série histórica, o que é um avanço importante e comemorável, mas ainda é preciso cautela. Estamos em ano eleitoral, com cortes no orçamento ambiental, sobretudo para o combate ao fogo; avanço de medidas que enfraquecem a proteção ambiental, como o PL da Devastação, as pressões contra a Moratória da Soja e a redução da responsabilidade do setor agropecuário no Plano Clima. Soma-se a isso o fato de janeiro ter registrado recorde de focos de calor na Amazônia para o mês em dez anos”, comenta a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.

Para Ana Ferreira, em um cenário de crise climática e florestas cada vez mais vulneráveis ao desmatamento e ao fogo, qualquer retrocesso pode comprometer rapidamente conquistas construídas a partir do trabalho árduo de anos. O Greenpeace Brasil alerta que é fundamental o Governo brasileiro estabelecer salvaguardas na agenda antidesmatamento permanentes e institucionalizadas, que não dependam de ciclos ou disposição governamental, além de assegurar a implementação de planos de ação robustos para períodos de maior vulnerabilidade climática.

A porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil cita ações prioritárias para que se mantenha a expectativa de redução do desmatamento na Amazônia. “É fundamental avançar na destinação de terras públicas para conservação e uso sustentável, demarcar e homologar territórios indígenas, titular comunidades quilombolas. Além disso, também é preciso bloquear todos os caminhos utilizados pelos desmatadores, com ações estruturantes e medidas de longo prazo, tais como vedar crédito, regular efetivamente os fluxos financeiros que ainda beneficiam quem desmata, aumentar transparência de informações socioambientais e implementar mecanismos que promovam a rastreabilidade total de produtos agropecuários”, diz Ana Ferreira.