Rumo obtém R$ 350 milhões do BNDES para locomotivas híbridas

19/01/2026
O projeto proporcionará para a empresa uma capacidade ampliada de transporte de 928 mil m³ anuais, 32% a mais em relação ao volume de biocombustíveis transportado em 2024.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$ 350 milhões, com recursos do Fundo Clima, para a Rumo adquirir seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque para expandir a logística de cargas de biocombustíveis, com destaque para o etanol de milho, no Centro-Oeste. O projeto proporcionará para a empresa uma capacidade ampliada de transporte de 928 mil m³ anuais, 32% a mais em relação ao volume de biocombustíveis transportado em 2024.

As locomotivas híbridas combinam dois sistemas de tração primários — um motor a combustão interna (como diesel) e um motor elétrico alimentado por baterias ou geradores —, permitindo diferentes modos de operação com maior eficiência energética. Nesse desenho, o motor de combustão pode atuar apenas em regimes ótimos para gerar eletricidade ou fornecer tração direta, enquanto o sistema elétrico complementa a potência, reduz picos de consumo e armazena energia recuperada por frenagem regenerativa, garantindo que ambos os sistemas contribuam ativamente para o deslocamento. “A adoção de tração híbrida representa a alternativa tecnológica mais viável de descarbonização da matriz ferroviária no curto e médio prazo por ter menor custo de implementação e de dependência de obras civis complexas, o que reforça o caráter inovador da iniciativa. Com a tecnologia híbrida e a substituição do modal de transporte rodoviário para o ferroviário, o projeto estima a redução de 62,3 mil toneladas de CO2 por ano. O transporte rodoviário é oito vezes mais emissor de CO2 por tonelada-quilômetro útil (TKU)”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa diz que o transporte sobre trilhos, por essência, se destaca pela eficiência energética e baixa emissão de carbono. “Buscamos sempre tecnologia para evoluir ainda mais e investir no modal ferroviário é crucial para avançarmos na descarbonização da matriz de transportes brasileira no longo prazo, ajudando o país a consolidar sua liderança global em cadeias produtivas que requerem uma logística competitiva e sustentável, com vocação para transportar grandes volumes a longas distâncias”. A ampliação do investimento na ferrovia, com acesso competitivo a linhas de financiamento, como o Fundo Clima, para Natália, é uma forma de reconhecer e valorizar os atributos de sustentabilidade deste modal e sua contribuição estratégica para a economia nacional. “Demos um passo muito importante e certamente temos espaço para aumentar substancialmente a participação da ferrovia na nossa matriz”.