Falta de saneamento atinge 53 mil pessoas com DDA em São Paulo

04/02/2026
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 94% dos casos de diarreia no mundo são justamente devidos à falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento precário.

O Ministério da saúde divulgou que nas três primeiras semanas de 2026 a falta de saneamento, água contaminada e higiene precária são as principais causas de infecções provocadas por vírus, bactérias e parasitas, e acometendo as pessoas com as chamadas Doenças Diarreicas Agudas (DDA). Ao todo, mais de 53 mil pessoas no Estado de São Paulo, seguido por Santa Catarina, onde foram contabilizados mais de 21 mil casos. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 94% dos casos de diarreia no mundo são justamente devidos à falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento precário.

“Mesmo com a implantação do Novo Marco Legal, há quase seis anos, o saneamento não avançou da forma como deveria e, lamentavelmente, ainda temos uma grande parcela da população sem acesso à água tratada e a um serviço de coleta e tratamento de esgoto adequado”, diz Ricardo Lazzari Mendes, presidente da APECS (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente). Atualmente, há no Brasil aproximadamente 34 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à água potável e mais de 90 milhões continuam sem receber serviço de coleta e tratamento de esgoto. “Para que possamos reduzir esses índices, é urgente avançar muito mais. Investir em saneamento traz retorno para a saúde”, completa Mendes. Ainda segundo a OMS, para cada dólar investido em saneamento, pode-se contabilizar uma economia de US$ 4 em tratamento de saúde.

Apesar de os investimentos terem crescido nos últimos anos, saltando de cerca de R$ 14 bilhões para aproximadamente R$ 50 bilhões ao ano entre 2019 e 2024 (recursos públicos e privados), dados do levantamento “Universalização do Saneamento 2025”, divulgado no final de 2025 pela Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), apontam que, entre 2.483 municípios avaliados, apenas 63 estão em condições de cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento, que determina acesso à água potável para 99% da população e 90% com serviço de coleta e destinação correta do esgoto, até o ano de 2033.“O Marco Legal tem o potencial de reduzir desigualdades históricas no saneamento brasileiro, mas seus resultados dependem de execução eficiente, fiscalização rigorosa e políticas sociais que garantam que as regiões mais vulneráveis não fiquem para trás”, afirma o presidente da APECS.

Para colaborar com os gestores públicos, a entidade criou, em parceira com o Sinaenco e a ABCE, o site Boletim do Saneamento, onde são disponíveis informações básicas e orientações relativas a financiamentos, Planos de Saneamento, Planos Diretores, contratação de estudos e projetos, Termos de Referência, controle de perdas, legislação referente ao setor e sugestões de requisitos para propiciar contratações de qualidade.