Xingu tem qualidade da água positiva perto de Belo Monte

28/08/2025
O rio mantém a sua classificação como Classe 2. O resultado representa que a água do Médio Xingu, na área de influência da usina, permanece própria para múltiplos usos.

Segundo estudos realizados pela Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, após 14 anos de análises contínuas, que abrangem os períodos anterior, durante e posterior à formação dos reservatórios, o rio mantém a sua classificação como Classe 2. O resultado representa que a água do Médio Xingu, na área de influência da usina, permanece própria para múltiplos usos, como o abastecimento doméstico após tratamento convencional, proteção das comunidades aquáticas, recreações como natação e mergulho, irrigação de hortaliças e frutíferas, e a criação de espécies destinadas à alimentação humana. A classificação é realizada pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), sob coordenação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e indica um ecossistema hídrico saudável e estabilizado. O resultado reforça que a operação da Usina Belo Monte ocorre em harmonia com a preservação ambiental da região.

“Não há muitos reservatórios no Brasil com 14 anos de monitoramento contínuo, com essa abrangência espacial, temporal e de parâmetros analisados. O que vemos no Médio Xingu é um exemplo de excelência científica e de compromisso com a preservação ambiental, com resultados consistentes que atestam a boa qualidade da água e a saúde do ecossistema”, disse José Galizia Tundisi, coordenador técnico do monitoramento e referência internacional na área. Ele explica que a extensão do programa realizado em Belo Monte é um dos diferenciais da empresa. Desde o início do programa até o momento, a Norte Energia realiza um amplo trabalho de coleta de dados, totalizando mais de 85.000 amostras de água superficial para análises físico-químicas e bacteriológicas. São 53 pontos monitorados de uma vasta área da região, que cobre desde a montante do Reservatório Xingu até a jusante de Belo Monte (na direção do fluxo do rio, após a usina), incluindo o Canal de Derivação, o Reservatório Intermediário, a Volta Grande do Xingu e a foz de afluentes importantes, como o rio Bacajá. “A qualidade da água reflete a forma como a bacia é gerida. Em Belo Monte, a preservação das matas no entorno dos reservatórios e o rigor científico do monitoramento mostram que, quando você preserva a bacia, você preserva a qualidade da água dos rios”, destaca o professor.

O trabalho faz parte das coletas em conjunto com representantes das comunidades locais, através do Plano de Monitoramento Participativo. Criado em 2020, o plano tem como objetivo possibilitar a interação entre o monitoramento da qualidade da água e as comunidades ribeirinhas da área de influência da Usina Belo Monte. Atualmente, sete comunidades localizadas ao longo da Volta Grande do Xingu — Ressaca, Ilha da Fazenda, Rio das Pedras, Maranhenses, Jericoá, Belo Monte e Gleba Itatá – estão envolvidas no projeto. Moradora da Comunidade Maranhense, Josimary Abreu Nunes participa das ações e se sente segura com os resultados do monitoramento. “Depois de ter visto os laudos, fico sim mais confiante. Como está tudo dentro da normalidade, então, dá uma certa segurança. Isso porque você também está vendo o que está acontecendo, como está sendo feito”, conta.

Para o gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia, Roberto Silva, os bons resultados refletem o rigor técnico do programa e a efetividade das ações ambientais implementadas. "O monitoramento contínuo é a base de uma gestão ambiental de qualidade dos recursos hídricos. O conjunto de dados, coletado ao longo de 14 anos, é a principal evidência do nosso compromisso com a região e com os requisitos do licenciamento, nos permitindo afirmar com base científica que, em geral, o ecossistema aquático da região da Usina se mantém saudável e que os reservatórios estão estabilizados. É um trabalho que garante a preservação ambiental e a segurança hídrica para as comunidades e para a biodiversidade local", destaca. O programa também se estende às águas subterrâneas. Foram realizadas mais de 10.600 medições dos níveis de água em 107 poços e cacimbas, além da coleta de mais de 2.500 amostras para monitoramento de sua qualidade. Este banco de dados tem sido fundamental para o acompanhamento das condições hidrológicas, permitindo a identificação de tendências e o cumprimento das metas ambientais, além de comprovar a manutenção da qualidade da água com a implantação da usina.