Universalização do saneamento impulsiona saúde, turismo e produtividade
A universalização do saneamento básico na Bahia pode representar uma das maiores alavancas de desenvolvimento social e econômico do estado nas próximas décadas. É o que aponta o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria. A pesquisa analisa a evolução do setor entre 2000 e 2024 e projeta os impactos até 2040, prazo definido pelo Marco Legal do Saneamento para a universalização dos serviços, além de estimar os efeitos permanentes que devem permanecer após esse período.
Os avanços das últimas décadas são expressivos. Entre 2000 e 2022, cerca de 3,4 milhões de baianos passaram a ter acesso à água tratada e 3,1 milhões passaram a contar com coleta de esgoto. O número de pessoas vivendo em moradias sem banheiro caiu de 3,17 milhões para 182 mil no período. De 2005 a 2024, os benefícios econômicos da expansão do saneamento somaram R$ 156,9 bilhões, superando em R$ 69,8 bilhões os custos sociais estimados, o que demonstra um saldo positivo relevante para o estado.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem significativos. Em 2024, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas ainda não tinham acesso à água tratada na Bahia, enquanto 8,6 milhões viviam sem coleta de esgoto. Apenas 47% do esgoto gerado recebia tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente, resultando no despejo diário de cerca de 780 milhões de litros de esgoto não tratado em rios, córregos e praias. Regiões como Irecê, Paulo Afonso e Santo Antônio de Jesus apresentam alguns dos menores índices de tratamento, reforçando a desigualdade regional no acesso ao serviço.
As projeções indicam que, entre 2025 e 2040, os benefícios da universalização podem alcançar R$ 163,3 bilhões, com um saldo social positivo de R$ 87,3 bilhões no período. Os ganhos incluem redução de despesas com saúde — estimada em R$ 1,18 bilhão —, aumento da produtividade do trabalho, valorização imobiliária, fortalecimento do turismo e geração de renda a partir dos investimentos previstos, que devem ultrapassar R$ 55,9 bilhões. A expectativa é que cada R$ 1 investido gere retorno social de R$ 3,70 nas 417 cidades baianas.
No cenário pós-2040, o estudo projeta um legado permanente de ganhos econômicos e sociais, estimados em R$ 178 bilhões em bem-estar acumulado. Para presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, os dados evidenciam que ampliar o acesso à água potável e ao tratamento de esgoto não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma estratégia estruturante para promover saúde pública, desenvolvimento regional e qualidade de vida à população baiana.