Sistema Cantareira inicia 2026 em Faixa de Restrição
O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, continuará operando na Faixa 4 – Restrição a partir de 1º de janeiro de 2026. A decisão foi comunicada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP-Águas), em conformidade com os critérios estabelecidos na Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.
Ao final de dezembro de 2025, o volume útil do sistema foi de 20,18%, registrando leve redução em relação aos 20,99% observados no mês anterior. Apesar da oscilação negativa, o nível permaneceu acima do limite mínimo de 20%, o que mantém o enquadramento do manancial na Faixa 4 de operação durante o início de 2026.
Durante o período úmido, que se estende até maio de 2026, as liberações de vazões para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) serão realizadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), conforme comunicados emitidos pela SP-Águas. Nessa etapa, há maior flexibilidade operacional para o atendimento aos limites de vazão definidos nos postos de controle previstos na resolução vigente. Esses comunicados são encaminhados simultaneamente aos Comitês PCJ, garantindo transparência e articulação institucional na gestão do sistema.
Com o Cantareira operando em Faixa de Restrição, a SABESP permanece autorizada a captar até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s), conforme previsto na norma. Como medida adicional de mitigação, a companhia poderá utilizar, ao longo de janeiro, a vazão transposta a partir do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, ampliando a segurança operacional do abastecimento.
As agências reguladoras reforçam a importância da adoção contínua de medidas de gestão da demanda por parte da SABESP, no âmbito dos serviços de abastecimento de água. A recomendação se estende aos demais usuários do sistema, com o objetivo de preservar os volumes armazenados nos reservatórios e reduzir riscos associados a eventuais períodos de estiagem.
A gestão do Sistema Cantareira é realizada de forma compartilhada pela ANA e pela SP-Águas, que acompanham diariamente dados de níveis, vazões e volumes armazenados. Esse monitoramento permanente subsidia as decisões operativas e garante maior previsibilidade às regras de uso da água, especialmente em contextos de variabilidade climática.
A Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada após a crise hídrica de 2014 e 2015, estabelece critérios claros para a operação do sistema, vinculando os limites de retirada de água ao volume acumulado nos reservatórios. O objetivo é assegurar maior segurança hídrica tanto para a Região Metropolitana de São Paulo quanto para as Bacias PCJ, conciliando o abastecimento urbano com os usos múltiplos da água.
Responsável pelo abastecimento de cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira também desempenha papel estratégico no atendimento a municípios como Campinas. O complexo é formado por cinco reservatórios interligados — Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro — com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema conta ainda com a interligação entre as represas Jaguari e Atibainha, reforçando a resiliência hídrica da região.
Embora os reservatórios estejam integralmente localizados em território paulista, parte das águas que os alimentam provém de rios de domínio da União, com nascentes e trechos em Minas Gerais, o que confere caráter interestadual à gestão do sistema. Nesse contexto, ANA e SP-Águas avaliam que as regras operacionais vigentes são adequadas para a condução do Cantareira e mantêm o acompanhamento diário das condições hidrológicas, com foco na tomada de decisões técnicas e na garantia do abastecimento à população.