Projeto de aterro na Grande Belém acende alerta sobre contaminação de rios

18/02/2026
Instalação prevista na região metropolitana levanta preocupações quanto ao risco de poluição hídrica e impactos sobre comunidades ribeirinhas.

Um projeto de instalação de um grande aterro de resíduos na região metropolitana de Belém, no Pará, vem despertando fortes preocupações entre ambientalistas, moradores e autoridades públicas por seu potencial impacto sobre os rios da Bacia Amazônica e a qualidade da água utilizada por comunidades ribeirinhas e urbanos.

Localizado no município de Acará, o empreendimento licenciado por iniciativa privada gerou questionamentos acerca da contaminação de corpos hídricos próximos, em razão da proximidade do chamado “lixão” com cursos d’água que alimentam ecossistemas, abastecem populações e desempenham papel essencial no equilíbrio ambiental da região.

Representantes da sociedade civil e pesquisadores alertam para os riscos de vazamentos de chorumes — líquidos resultantes da decomposição de resíduos — e de poluentes diversos que podem infiltrar-se no solo e atingir rios e igarapés, comprometendo não apenas a fauna aquática, como também a qualidade da água para consumo humano e atividades produtivas. A Bacia Amazônica concentra a maior rede fluvial do planeta, com cursos d’água de enorme importância ecológica e socioeconômica.

A poluição de rios por resíduos sólidos e contaminantes já é uma preocupação recorrente em diversas áreas da Amazônia, especialmente em cidades que enfrentam desafios de saneamento básico e descarte adequado de lixo urbano. Estudos técnicos apontam que o transporte irregular de resíduos por águas superficiais pode intensificar a presença de micro poluentes, plásticos e substâncias tóxicas em sistemas fluviais interligados da região.

Autoridades ambientais estaduais haviam indeferido anteriormente a licença para o chamado “lixão”, em função de lacunas no estudo de impacto ambiental e na demonstração de medidas eficazes de contenção de contaminantes. A discussão agora gira em torno das condições e garantias de que o projeto não cause danos irreversíveis às águas amazônicas.

Especialistas ressaltam que a proteção dos rios amazônicos é essencial não só para a biodiversidade, mas também para a saúde pública e a segurança hídrica de milhões de brasileiros que dependem desses recursos naturais, em um contexto em que a água doce do bioma é um dos pilares da sustentabilidade ambiental continental.