Projeto de aterro na Grande Belém acende alerta sobre contaminação de rios
Um projeto de instalação de um grande aterro de resíduos na região metropolitana de Belém, no Pará, vem despertando fortes preocupações entre ambientalistas, moradores e autoridades públicas por seu potencial impacto sobre os rios da Bacia Amazônica e a qualidade da água utilizada por comunidades ribeirinhas e urbanos.
Localizado no município de Acará, o empreendimento licenciado por iniciativa privada gerou questionamentos acerca da contaminação de corpos hídricos próximos, em razão da proximidade do chamado “lixão” com cursos d’água que alimentam ecossistemas, abastecem populações e desempenham papel essencial no equilíbrio ambiental da região.
Representantes da sociedade civil e pesquisadores alertam para os riscos de vazamentos de chorumes — líquidos resultantes da decomposição de resíduos — e de poluentes diversos que podem infiltrar-se no solo e atingir rios e igarapés, comprometendo não apenas a fauna aquática, como também a qualidade da água para consumo humano e atividades produtivas. A Bacia Amazônica concentra a maior rede fluvial do planeta, com cursos d’água de enorme importância ecológica e socioeconômica.
A poluição de rios por resíduos sólidos e contaminantes já é uma preocupação recorrente em diversas áreas da Amazônia, especialmente em cidades que enfrentam desafios de saneamento básico e descarte adequado de lixo urbano. Estudos técnicos apontam que o transporte irregular de resíduos por águas superficiais pode intensificar a presença de micro poluentes, plásticos e substâncias tóxicas em sistemas fluviais interligados da região.
Autoridades ambientais estaduais haviam indeferido anteriormente a licença para o chamado “lixão”, em função de lacunas no estudo de impacto ambiental e na demonstração de medidas eficazes de contenção de contaminantes. A discussão agora gira em torno das condições e garantias de que o projeto não cause danos irreversíveis às águas amazônicas.
Especialistas ressaltam que a proteção dos rios amazônicos é essencial não só para a biodiversidade, mas também para a saúde pública e a segurança hídrica de milhões de brasileiros que dependem desses recursos naturais, em um contexto em que a água doce do bioma é um dos pilares da sustentabilidade ambiental continental.