Espaço Meteorológico na USP ajudar a entender fenômenos climáticos
A Universidade de São Paulo inaugura no próximo dia 7 de fevereiro, às 10h, o Espaço Meteorológico da Estação Meteorológica Professor Paulo Marques do Santos, uma parceria entre o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) e o Parque de Ciência e Tecnologia da USP (CienTec-USP). Instalado no hall do prédio principal do parque. O espaço permanente reúne mais de um século de observações do tempo e do clima em São Paulo, conectando história científica, dados contemporâneos e experiências educativas abertas ao público. A abertura integra a programação do Super Sábado – Especial Meteorologia, que marca o início das atividades do novo ambiente expositivo e inclui visita guiada “Meteorologia em São Paulo” às 10h30, passeio histórico às 11h30, atividade “A Física e o Clima” às 12h30, a exposição Luz e Vida às 13h30, trilha educativa às 14h30 e sessão de planetário às 15h30. Todas as ações são gratuitas e não exigem inscrição prévia.
Idealizado pela equipe da EM-IAG, o Espaço Meteorológico possui uma linha do tempo inédita da observação do tempo na capital paulista e combina séries científicas de temperatura e precipitação, instrumentos históricos e dados exibidos em tempo real. O objetivo é mostrar como a meteorologia transforma medições contínuas em previsões e como essas informações ajudam a compreender fenômenos climáticos de longo prazo. Um grande painel na exposição traduz informações científicas complexas em linguagem visual acessível. Na parte superior, uma série temporal da temperatura média anual indica, por meio de cores, quando os valores ficaram acima ou abaixo da média histórica. Tons de azul representam anos mais frios e tons de vermelho indicam períodos mais quentes. “Ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, foi possível observar um aquecimento, ou seja, a temperatura na nossa região aumentou”, afirma o professor Carlos Augusto Morales Rodriguez, do IAG-USP. Logo abaixo, um segundo gráfico apresenta a chuva anual convertida em porcentagem em relação à média histórica. “Chuva em milímetros é mais difícil de entender. Em porcentagem, a pessoa consegue visualizar rapidamente se choveu mais ou menos do que o esperado”, explica. Os dados indicam que, em determinados períodos das últimas nove décadas, a precipitação anual aumentou cerca de 400 milímetros, chegando a aproximadamente 60% acima da média histórica.
O visitante poderá acompanhar também uma narrativa que começa em 1888, com a instalação de uma estação meteorológica no Jardim da Luz, passa pela transferência para a Praça da República em 1895 e pela mudança para a Avenida Paulista em 1912, quando passou a integrar o Observatório de São Paulo. Em novembro de 1932, a estação foi transferida para o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), onde permanece até hoje, acompanhando a expansão urbana da cidade e a necessidade de medições de longo prazo. A consolidação institucional da área ocorre em 1941, com a criação do IAG, que em 1946 passa a integrar a Universidade de São Paulo. A partir da década de 1950, a estação adota observações horárias e, em 1957, atualiza seus instrumentos mantendo o mesmo princípio tecnológico, decisão considerada fundamental para garantir a comparabilidade dos dados ao longo das décadas. “A gente atualiza peças e versões, mas preserva o princípio de funcionamento para que a série histórica não seja afetada”, explica Morales.
O painel destaca ainda o papel da USP na formação de meteorologistas, com a criação do Departamento de Meteorologia e do Programa de Pós-Graduação em 1975 e o início da graduação em 1977. Atualmente, já foram formados 352 meteorologistas, além de 384 mestres e 179 doutores, profissionais que atuam em centros de pesquisa, universidades e serviços meteorológicos em todo o país. No século XXI, a estação entra definitivamente na era digital. Em 2007, foi instalada a Estação Meteorológica Automática, ampliando a resolução temporal dos dados sem romper a compatibilidade com a série histórica tradicional. Em 2023, o espaço passou a homenagear o meteorologista Prof. Paulo Marques dos Santos, que atuou por cerca de cinco décadas na estação.
O Espaço Meteorológico irá estabelecer também conexões com o cenário global das pesquisas climáticas. Segundo Morales, as séries históricas do IAG ajudam a validar modelos utilizados por organismos internacionais. “Essa é uma das poucas estações do mundo com mais de 90 anos de dados contínuos capazes de confirmar projeções climáticas”, afirma. O visitante encontrará ainda instrumentos meteorológicos históricos e contemporâneos, além de um monitor que exibe dados em tempo real, mostrando como medições se transformam em previsões do tempo. Com cerca de 5 por 5 metros, o Espaço Meteorológico foi concebido para permanecer aberto durante todo o horário de funcionamento do parque, permitindo visitas espontâneas e atividades educativas. Ao reunir história, ciência e tecnologia, a proposta é mostrar que o clima da cidade é resultado de medições contínuas e análises científicas que atravessam gerações, aproximando o público do trabalho realizado por pesquisadores e técnicos. O parque não possui venda de alimentos e bebidas, sendo recomendado levar lanche. Para participar das trilhas é necessário calçado fechado. O estacionamento é gratuito apenas durante o período de permanência no parque.