Crédito verde, biodiesel e etanol de milho impulsionam transição energética em 2026

05/01/2026
Governo e setor privado ampliam ações para reduzir emissões e diversificar a matriz de combustíveis no país.

O ano de 2026 começou com movimentos significativos no setor de biocombustíveis no Brasil, que ganha impulso em diferentes frentes — desde crédito para combustíveis sustentáveis de aviação até investimentos privados e projeções robustas para o etanol de milho. A combinação desses fatores reforça o papel estratégico dos biocombustíveis na transição energética do país e na redução de emissões.

O Ministério de Portos e Aeroportos, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciou um acordo para liberar R$ 4 bilhões em financiamento a companhias aéreas por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Uma das principais contrapartidas estabelecidas exige que as empresas beneficiadas adquiram combustível sustentável de aviação (SAF), cuja utilização reduz emissões de dióxido de carbono além da meta legal vigente. A taxa de juros desse crédito pode variar entre 6,5% e 7,5% ao ano, tornando a operação atrativa para o setor aéreo em um momento em que compromissos climáticos e metas de descarbonização ganham relevância global.

O SAF é considerado uma alternativa viável para mitigar as emissões de gases de efeito estufa na aviação, pois pode ser utilizado sem modificações estruturais nas aeronaves. A demanda por esse tipo de combustível tem recebido atenção crescente no Brasil e no mundo, especialmente com a antecipação de regras que incentivam sua adoção em voos comerciais.

Na esfera privada, a JBS, por meio da sua unidade Biopower, anunciou um aporte de R$ 140 milhões para modernização de três usinas de biodiesel, localizadas em São Paulo, Mato Grosso e Santa Catarina. O investimento é o maior desde 2021 e visa ampliar a capacidade de produção do biocombustível, que é obtido a partir de resíduos orgânicos bovinos e óleo de cozinha usado. Com as melhorias tecnológicas previstas, as unidades deverão alcançar uma produção recorde de cerca de 650 milhões de litros até o fim de 2025.

Entre os avanços produtivos, a empresa incorporará a tecnologia de esterificação enzimática, que substitui catalisadores químicos por enzimas mais eficientes, aumentando a produtividade e a flexibilidade na utilização de diferentes matérias-primas.

Outro destaque no cenário energético brasileiro é o crescimento projetado do etanol de milho. De acordo com estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o grão pode representar até 42% da produção nacional de etanol em 2035, um salto significativo em relação à participação atual de cerca de 20%. O avanço é favorecido por características logísticas e agrícolas do milho, que permite mais de uma safra por ano e facilita o armazenamento, ampliando a capacidade operacional das usinas ao longo de toda a temporada.

Esse crescimento é corroborado por investimentos expressivos já em curso no setor, que somam dezenas de bilhões de reais e incluem a construção de novas unidades e a adaptação de instalações para ampliar a produção de biocombustíveis diversos, incluindo etanol de milho, biometano e SAF.

Esses desenvolvimentos sinalizam uma trajetória de consolidação do Brasil como ator relevante na produção de combustíveis mais limpos e sustentáveis. A formação de mecanismos de crédito condicionados ao uso de SAF, combinada com investimentos privados robustos e a expansão de fontes alternativas como o etanol de milho, reflete a crescente integração entre políticas públicas, mercado e sustentabilidade na agenda energética brasileira — uma tendência que deve ganhar ainda mais força ao longo da década.