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Casca de ovo usado em resíduo da mandioca pode produzir biogás

Casca de ovo usado em resíduo da mandioca pode produzir biogás

O trabalho buscou otimizar a digestão anaeróbia destes resíduos para a produção de biogás, uma fonte de energia renovável, e de um digestato, com potencial aplicação como fertilizante orgânico.

Uma série de pesquisas e estudos científicos realizados pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), da Universidade Tiradentes (Unit) apontou que o uso da manipueira, um resíduo líquido extraído da mandioca, pode ser usado como matéria-prima para a produção de biogás e de fertilizantes orgânicos. Um desses estudos, da pesquisadora sergipana Ianny Andrade Cruz, resultou na criação de um sistema de produção e monitoramento destes insumos com o uso da própria manipueira e também de cascas de ovos, adicionadas para aperfeiçoar o beneficiamento biológico de resíduos comuns do agreste de Sergipe.

Este estudo é tema de uma tese de doutorado defendida em fevereiro de 2023 e que teve parte de suas pesquisas realizadas no Laboratório de Tecnologias da Biomassa (BTL), ligado à Universidade de Sherbrooke (UdeS), em Sherbrooke, no Canadá, onde ela fez um estágio em 2022 e voltou para fazer um pós-doutorado. Vinculado à linha de pesquisa ‘Uso e Transformação de Recursos Agrícolas’, o trabalho buscou otimizar a digestão anaeróbia destes resíduos para a produção de biogás, uma fonte de energia renovável, e de um digestato, com potencial aplicação como fertilizante orgânico. E este processo seria monitorado por um sistema ligado à chamada Internet das Coisas (IoT).

Para Ianny, a escolha da manipueira como objeto de estudo representou não apenas uma conexão com suas raízes familiares, mas também uma oportunidade de contribuir diretamente para a redução dos impactos ambientais associados ao descarte inadequado desses resíduos. “Queremos incentivar a ideia de que esse resíduo ainda pode ser transformado em uma fonte adicional de renda para os agricultores”, diz ela, citando que o biogás oferece uma série de benefícios ambientais, econômicos e sociais, num contexto de crescente demanda por energia limpa e renovável. “Foi justamente saber de todos esses benefícios que me incentivou a continuar pesquisando sobre o tema, e tentando contribuir de alguma forma para nossa região. Cada dia tenho maior certeza da importância deste tema para o alcance de uma economia circular”, acrescenta.

A pesquisadora comenta ainda que o Brasil tem um alto potencial de biomassa agrícola e agroindustrial, o que inclui a mandioca como uma das culturas socioeconômicas essenciais do país, explorada por agricultores familiares no Norte e Nordeste, e que gera um volume considerável de resíduos. “Nossa pesquisa veio justamente para buscar uma solução para a recuperação destes recursos, bem como para uma produção simultânea de energia renovável. Valendo apontar que a conversão de resíduos orgânicos em biogás é um processo que não só aborda desafios da gestão de resíduos, mas também contribui para a redução das emissões de gases estufa e a autossuficiência energética do país.

Durante a pesquisa, Ianny notou que o cálcio presente nas cascas de ovos, em certas quantidades, tornou mais estável o processo de beneficiamento da manipueira, bem como levou a uma maior produção de biogás. No entanto, a avaliação do digestato (o segundo produto do processo) através de um teste com sementes de alface (Lactuca sativa) demonstrou toxicidade para as sementes. Este resultado sugeriu a necessidade de um maior tempo de residência de digestão ou mesmo algum pós-tratamento antes da aplicação do digestato como fertilizante. A tese, orientada pelos professores Luiz Fernando Romanholo Ferreira e Ranyere Lucena de Souza, do PEP/Unit, foi uma continuidade da dissertação de mestrado “Construção de um reator Anstbr automatizado de baixo custo para produção de biogás”, que já buscava formas de otimização da digestão anaeróbia, através do monitoramento do processo.

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2 de agosto, 2021
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BIOGÁS
Perspectivas de crescimento até 2040

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31 de março, 2020
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TRATAMENTO DE ESGOTO
Tecnologia dispensa decantadores secundários

A engenheira ambiental Amanda Rodrigues Inácio desenvolveu estudo que viabiliza a eliminação de decantadores secundários utilizados na etapa final do processo de lodos ativados e destinados à deposição da biomassa, formada na fase anterior pela ação de microrganismos que consomem a matéria orgânica. No tanque de aeração onde ocorre a degradação da matéria orgânica a pesquisadora introduziu mantas geossintéticas capazes de reter a biomassa com a mesma eficiência do processo tradicional que utiliza decantadores, com custo equivalente e economia de espaço. O sistema mostrou uma redução de mais de 95% da matéria orgânica do esgoto, superior ao mínimo determinado pela legislação (80%). Também foi comprovado êxito em relação à clarificação do esgoto tratado. Para a turbidez e para os sólidos suspensos, as eficiências médias de remoção foram, respectivamente, de 98,5% e de 99%. O sistema de lodos ativados de aeração prolongada, um dos mais utilizados no Brasil, envolve o gradeamento que barra a passagem de sólidos maiores; o desarenador em que se depositam as partículas com dimensões próximas às da areia; o reator biológico em que o oxigênio é fornecido para desenvolvimento dos microrganismos (ação aeróbia) que se alimentam da matéria orgânica; a deposição do lodo, constituído de microrganismos, no decantador secundário; e finalmente a liberação do esgoto tratado para os cursos d’água. O trabalho foi realizado em parceria com o Departamento de Saneamento e Ambiente, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, orientado pelo professor Carlos Gomes da Nave Mendes. O esgoto sanitário utilizado na pesquisa é originado em algumas instalações da Unicamp e apresenta características típicas de origem doméstica.

14 de dezembro, 2017