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RESÍDUOS ORGÂNICOS

Brasil desperdiça 46 milhões de toneladas de alimentos por ano

Brasil desperdiça 46 milhões de toneladas de alimentos por ano

Aproximadamente 30% dos alimentos produzidos no País são perdidos

Segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 10ª posição do ranking mundial do desperdício de comida. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 30% dos alimentos produzidos no País são perdidos, o equivalente a aproximadamente 46 milhões de toneladas anuais. Entre os principais fatores para o desperdício de alimentos está o esbanjamento desnecessário de preciosos recursos empregados na produção agropecuária e no processamento industrial, como mão-de-obra, água, energia e insumos. Além disso, a superexploração de recursos naturais pode gerar impactos negativos, como desmatamento e emissões de gases de efeito estufa.
A Loga, concessionária responsável pela coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos domiciliares e de saúde no Agrupamento Noroeste da capital paulista, afirma que a reutilização de orgânicos é uma forma eficaz para combater o desperdício. Para que isto aconteça realmente é preciso que as pessoas coloquem em prática a criatividade, aproveitando integralmente os alimentos, incluindo partes que normalmente seriam descartadas, como cascas, sementes e raízes, para criar receitas sustentáveis.

Como exemplo de reaproveitamento está fazer suco com a casca da manga. Basta bater as cascas equivalentes a três mangas maduras no liquidificador com 500 ml de água, até que elas estejam bem trituradas. Depois, é só coar e misturar com mais 500 ml de água, adoçando a bebida a gosto.

No caso da casca do abacaxi ela pode ser transformada em geleia, após triturar as cascas da fruta com uma xícara e meia de água. Depois, é só transferir a mistura para uma panela em fogo médio, adicionando canela em pau e uma xícara de açúcar, mexendo bem até conseguir a textura de geleia. Outra dica é utilizar as sobras de talos de cenoura, agrião ou beterraba em saladas, molhos, bolos e tortas. Sementes de abóbora também podem ser torradas e temperadas para virar um lanche nutritivo.

A compostagem dos resíduos orgânicos também é uma técnica importante e ambientalmente responsável para dar o destino correto e útil para restos de alimentos, transformando-os em adubo para a agricultura e jardinagem. É um processo prático, que pode ser realizado até mesmo com composteiras domésticas.
A Loga orienta que a compostagem junto com as demais seja colocada em prática para promover a sustentabilidade, reduzindo os impactos socioambientais, e, desta forma, garantindo que os recursos alimentares sejam utilizados de maneira responsável e consciente.

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Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos

Por Urias Rodrigues (*) A humanidade produz anualmente mais de dois bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, dos quais 45% são mal administrados, agravando a emissão de gases de efeito estufa e os riscos relativos ao aquecimento global, bem como afetando a qualidade do ar e a saúde pública. Sem uma ação eficaz e urgente para equacionar o problema, o número crescerá para quase quatro bilhões de toneladas até 2050. Os resíduos advêm de várias fontes e se apresentam em formas, tamanhos e estruturas físico-químicas distintas. São plásticos, detritos da mineração, da indústria e da construção civil, eletrônicos, alimentos, produtos de consumo e suas embalagens e da área da saúde. Nem sempre sua gestão é adequada, havendo um desequilíbrio dentro dos próprios países e entre as nações, conforme seu grau de desenvolvimento, prejudicando as mais pobres. É preocupante constatar que o problema da má administração afeta cerca de quatro bilhões de pessoas, metade dos habitantes da Terra, devido à ausência ou precariedade dos serviços de coleta, tratamento e destinação final. Todos esses dados sobre o tema, divulgados pela Organização das Nações Unidas, na primeira celebração, ocorrida este ano, do Dia Internacional do Resíduo Zero, 30 de março, demonstram a premência das soluções. Nesse sentido, uma das frentes é a conscientização da sociedade sobre o consumo responsável, propósito principal da nova data oficial da ONU. Porém, mesmo que haja sucesso, em médio prazo, na mudança de hábitos de grande parte da população mundial, há um limite para que esse desejável avanço da responsabilidade ambiental dos cidadãos produza resultados. Afinal, todo mundo precisará continuar comendo, se vestindo, comprando produtos eletrônicos e de higiene e vários outros bens de consumo. Desde a Pré-História, não há vida sem a geração de resíduos sólidos. Assim, embora seja de extrema importância a redução dos volumes gerados pela civilização global, são essenciais modelos eficazes para sua gestão, de modo a mitigar seus impactos e retornar o máximo possível para a cadeia produtiva. É o que se verifica, por exemplo, na capital paulista, umas das maiores metrópoles do mundo, com mais de 12 milhões de habitantes, onde a coleta, tratamento e destinação dos resíduos sólidos e de saúde não apenas obedecem às leis como recebem investimentos para atender aos preceitos ecológicos. Somente a Loga (Logística Ambiental de São Paulo), concessionária responsável por esses serviços na Região Noroeste da cidade, recolhe 6 mil toneladas por dia, ou quase 2 milhões de toneladas por ano. Há, ainda, a coleta de 40 mil toneladas anuais de recicláveis, estimulando a economia circular e contribuindo para a renda de cooperativas de caráter social. Esses volumes são provenientes de 1,6 milhão de domicílios, hospitais e clínicas, abrangendo o descarte feito por sete milhões de pessoas. Todo material que ainda não é recuperado vai para aterros sanitários, estruturas de engenharia planejadas, operadas e monitoradas de acordo com normas e regulamentações ambientais rigorosas, que protegem o ar, evitam odores e a contaminação do solo e da água subterrânea. Equipamentos de drenagem do chorume captam e tratam o líquido resultante da decomposição. Há, ainda, sistemas de coleta de gases, como o metano, um subproduto da decomposição anaeróbica dos materiais orgânicos, que é utilizado como fonte de energia, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Se a humanidade precisa gerar resíduos para viver, também necessita reduzir sua produção e equacionar a sua gestão, como têm feito os paulistanos, para que a vida seja viável em longo prazo. São prementes soluções para tal paradoxo, questão crítica de um planeta com mais de oito bilhões de habitantes. Para isso, há modelos e sistemas eficazes. Trata-se de algo crucial para o meio ambiente urbano, a saúde pública, o cumprimento do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura da Terra em 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial, e a viabilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (*) Coordenador de destinação final da Central Mecanizada de Triagem da Loga (Logística Ambiental de São Paulo).

5 de agosto, 2023
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ARTIGO
Precisamos (e podemos) reduzir nossa produção de lixo

Por Leo Cesar Melo * Diariamente produzimos no Brasil, aproximadamente, 215 mil toneladas de lixo, um pouco mais de 1,0 quilo por pessoa. Em um mês são quase 6,5 milhões de toneladas e, ao final do ano, 78,4 milhões de resíduos são colocados nas portas das casas. Esses são dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, feito em 2017, que também ressalta que 91% da produção é coletada, mas somente 56% desse total tem a destinação correta. Levando em consideração ainda os 9% que sequer são coletados, podemos concluir que, para cada tonelada gerada, 460 quilos são descartados de maneira irregular, o que demonstra um potencial de prejuízo ao meio ambiente. A primeira coisa a fazer parece um pouco óbvia, que é reduzir a produção de lixo. Será que tudo o que é colocado para destinação final realmente precisa estar ali? No entanto, tenho visto com preocupação o cenário deste mercado de resíduos sólidos no Brasil. Uma pesquisa que realizamos recentemente sobre gestão de resíduos, com empresas de diferentes setores (mineração, farmacêutico, automotivo, agronegócio, entre outros), revela que para 60% delas o "Aterro Zero", que tem por objetivo dar uma destinação mais nobre do que aterros e incineradores a pelo menos 90% dos resíduos gerados durante o seu processo produtivo, ainda não é uma meta. No entanto, os prejuízos vão para além do aspecto ambiental. A pesquisa também mostra que 56% das empresas reconhecem que o desperdício de matéria-prima, água e energia é a principal perda econômica nesse processo. Ou seja, cada vez que sai um caminhão de uma indústria carregado de resíduos, ele leva consigo muito dinheiro. Serve como um bom exemplo os efluentes industriais de uma indústria alimentícia. Este material, normalmente rico em matéria orgânica, pode passar por tratamento para se tornar água de reuso (impactando os custos com água) e também uma biomassa, que pode ser aproveitada como fertilizante ou ser queimada para gerar energia a partir de um biogás (contribuindo na redução de custos com energia, ou gerando um novo produto para venda). Mas há outras inúmeras alternativas. Portanto, que tal olhar de maneira diferente para o que se descarta diariamente? Os orgânicos podem ir para uma composteira e se tornar adubo. Plásticos, vidros, papéis e outros materiais recicláveis podem ser destinados a locais que dão o devido tratamento a eles. Com uma simples mudança de perspectiva, podemos levar cada vez mais aquela tonelada diária que geramos para perto do zero. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

17 de agosto, 2020
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COMPOSTAGEM
Mineradoras processam resíduos de operações

Com duas minas de caulim no município de Ipixuna do Pará (PA), a mineradora Imerys utiliza o processo da PPSA, replicado para outra mina da empresa, a RCC, onde aproximadamente 60% de todo o resíduo orgânico gerado é aproveitado. “São muitas possibilidades, porque também podemos compostar cascas, grãos e sementes em geral, a borra e o filtro do café, o saquinho do chá, o hashi da comida japonesa”, conta o técnico Ambiental da Imerys, Mauro Cunha. Segundo a Abrelpe, cerca de 51% de todos os resíduos produzidos no Brasil são orgânicos, o que significa 36,5 milhões de toneladas por ano, sendo que apenas 1% é tratado de forma adequada. Na mina PPSA, a Imerys constata média mensal de aproximadamente duas toneladas de resíduos orgânicos geradas no restaurante, que são 100% reaproveitados na compostagem. “No ano passado, colocamos a máquina de compostagem em operação. Os custos com toda a destinação final para empresas que recolhiam os resíduos orgânicos para incineração praticamente foram zerados. Além do ganho econômico, temos o ganho ambiental, utilizando o material processado na compostagem como adubo nas áreas de recuperação”, afirma Rafael Ferreira, biólogo da Imerys. O processo de compostagem reaproveita a matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, que por meio de um processo biológico de decomposição formam um composto orgânico que pode ser aplicado no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) para ajudar no enriquecimento da matéria orgânica. “Entre os principais benefícios da compostagem estão a destinação mais adequada dos resíduos orgânicos para natureza; a substituição do uso de adubos químicos por compostos orgânicos no meio ambiente e a redução da quantidade de resíduos a serem enviados para aterros sanitários”, conclui Mauro Cunha. Já a Mineração Rio do Norte (MRN), que opera a mineração de bauxita no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná (PA) reaproveita em média cinco toneladas mensais de resíduos orgânicos através da compostagem, realizada desde 2002 pela Gerência de Administração de Infraestrutura da empresa, atendendo às legislações ambientais vigentes. “Ao realizar o reaproveitamento desse tipo de resíduos, o produto da compostagem, que é o adubo orgânico, é utilizado em jardinagem das residências da vila de Porto Trombetas”, comenta Carlisson Alves Romano, Engenheiro Sanitarista e Ambiental da MRN. A compostagem é realizada na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (CTR) e visa reduzir a quantidade de resíduos descartados no aterro sanitário do distrito. Esta etapa faz parte do programa de coleta seletiva de resíduos sólidos, feita pelos moradores. “Para que o processo de compostagem dê certo, é necessário que a coleta seletiva de resíduos sólidos seja atendida. Os resíduos orgânicos coletados são direcionados para a CTR. Lá, acontece a mistura com resíduo vegetal (capim/grama) oriundos do serviço de roçagem das áreas verdes da vila residencial. O processo de mistura de orgânicos com vegetal ocorre numa área específica da CTR. O tempo de processo é de 90 a 110 dias”, relata Carlisson. Entre os benefícios da compostagem para a MRN está à redução de resíduos destinados para o aterro sanitário e, consequentemente, o aumento da vida útil do aterro, a doação do adubo orgânico para moradores da vila residencial, que o utilizam em jardinagem, e o valor ambiental desta boa prática.

16 de março, 2020
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PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL
Proposta da BASF para reduzir perdas de alimentos

Dados da ONU mostram que anualmente cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado devido às práticas de produção e consumo pouco sustentáveis. Como forma de apresentar possíveis soluções a esse desafio, a BASF lançou, dia 21 de novembro, em São Paulo, o documento “Cocriando soluções para mitigar perdas e desperdícios de alimentos no Brasil: uma visão geral da cadeia de valor de culturas de destaque da agricultura brasileira e dos hábitos de consumo“, resultado das ideias originadas durante o Creator Space Tour São Paulo, evento organizado em comemoração aos 150 anos da empresa, em 2015. Conforme reforçou na ocasião Eduardo Leduc, vice-presidente Sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para a América Latina,“a BASF se compromete em contribuir para a mitigação dos impactos negativos gerados pelas perdas e desperdícios de alimentos. Em conjunto com nossos parceiros e outros representantes da sociedade, podemos colaborar para a eliminação do crescente hiato entre as necessidades humanas e a má distribuição de alimentos no Brasil e no mundo”. O documento traz propostas para reduzir as perdas e desperdícios nas cadeias produtivas da batata, trigo e tomate, cultivos que são referências no País. Também apresenta ideias para promover uma maior conscientização da sociedade frente a esses problemas, contribuindo para um consumo mais sustentável. No caso da batata, as perdas e desperdícios estão associadas a um manejo inadequado na lavoura, danos mecânicos e tempo demasiado entre produção e consumo. Um esforço coletivo da cadeia de valor para diminuir o volume de batatas fora de padrão, bem como aprimorar a distribuição desses produtos em mercados alternativos, são, portanto, propostas que iriam colaborar com a redução de perdas e desperdícios nesse cultivo. Outra iniciativa é o projeto de cocriação “Every Potato Counts” que propõe o direcionamento da vendada produção dos agricultores de batata, gerando aumento da produtividade e redução do desperdício. Além de criar valor compartilhado para toda cadeia produtiva da batata. Na oferta doméstica de trigo foi apontada a ineficiência causada pela falta de coordenação entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Como resposta a esse e outros desafios a serem superados, a BASF considera a implementação de um consórcio pré-competitivo, que estabeleceria melhores mecanismos de incentivo, aumento do controle conjunto da cadeia de valor e a aprimoração do desenho dos contratos, via estabelecimento de padrões claros de qualidade e formação de preços. Oitavo maior produtor mundial de tomate, o mercado brasileiro sofre com altas taxas de perdas e desperdícios devido à fragilidade do produto que possui de 93% a 97% de água em sua composição. Somam-se a isso fatores como: tempo excessivo gasto entre a fazenda e a mesa do consumidor, danos mecânicos (cortes e esmagamentos acidentais), condições de transporte ruins, embalagens inadequadas, disposição inapropriada nos supermercados, entre outros. Nos debates promovidos pela BASF, especialistas indicaram que a embalagem apropriada dos tomates tem papel fundamental na redução dos altos níveis de perdas e desperdícios de alimentos, visto que o manuseio excessivo dos tomates é considerado uma das principais causas do problema. A proposta da BASF inclui, portanto, o desenvolvimento de um sistema multi-caixas, combinando embalagens internas e externas, paletizáveis. A caixa externa teria uma capacidade de 20 kg, que poderia reduzir drasticamente a necessidade de manuseio durante o transporte do produto. A versão completa do documento está disponível no site da BASF ( www.basf.com.br ).

23 de novembro, 2016