BNDES Corais vai mapear e monitorar recifes em oito estados

13/02/2026
A iniciativa receberá investimentos de R$ 5,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental e integra o BNDES Azul, estratégia do Banco dedicada à conservação dos oceanos, à adaptação às mudanças climáticas e ao fortalecimento da economia azul.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contratou o primeiro projeto do BNDES Corais a ser executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade para mapear e monitorar os recifes rasos ao longo da costa brasileira. A iniciativa receberá investimentos de R$ 5,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental e integra o BNDES Azul, estratégia do Banco dedicada à conservação dos oceanos, à adaptação às mudanças climáticas e ao fortalecimento da economia azul.

Denominado SER Corais, o projeto terá duração de 36 meses e realizará expedições de campo, mergulhos científicos, coleta e análise de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes rasos distribuídos ao longo de cerca de 2.800 km do litoral brasileiro, além dos dois principais bancos de corais do País — Abrolhos (BA) e Parcel Manuel Luís (MA). A iniciativa vai monitorar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, produzir mapas técnicos e relatórios científicos e desenvolver protocolos de restauração recifal.

O projeto terá atuação entre os estados da Bahia (30%), Alagoas (10%), Ceará (10%), Espírito Santo (10%), Maranhão (10%), Paraíba (10%), Pernambuco (10%) e Rio Grande do Norte (10%), refletindo a extensão das áreas recifais monitoradas e a relevância ambiental dos territórios. Além isso, a iniciativa apoiará ao menos dez unidades de conservação, prevê avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorar 28 espécies e realizar 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre os recifes brasileiros e subsidiar políticas públicas de conservação marinha. A contratação marca o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. “Os recifes de corais são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para a atividade pesqueira e turística. Com o projeto SER Corais, estamos fortalecendo a ciência brasileira e apoiando soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas, com destaque para a RDS de Coroa Alta, na Bahia. Será desenvolvido também um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões. “O BNDES Corais foi estruturado para combinar conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. Este projeto mostra como é possível proteger os recifes e, ao mesmo tempo, fortalecer comunidades costeiras e gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

A iniciativa deve gerar empregos diretos e indiretos ao longo da execução, fortalecer a capacidade técnica de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira. O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Para uma das fundadoras do Instituto Nautilus Fabiana Felix, a contratação representa a ampliação de uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal. “O SER Corais permitirá ampliar o monitoramento já realizado com o projeto Budioes, patrocinado pelo programa Petrobras Socioambiental e focado nos peixes, para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração. É um avanço importante para a conservação dos recifes brasileiros”, afirmou.

Em Santa Cruz Cabrália (BA), nas comunidades pesqueiras de Santo Antônio e Santo André, o projeto prevê capacitações, oficinas de empreendedorismo, mentorias e apoio à estrutura produtiva local, incluindo beneficiamento de produtos como coco e dendê. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 230 famílias, gerando alternativas de renda e reduzindo a pressão sobre a pesca predatória. A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), além de contribuir diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODSs) 8, 12, 13 e 14. Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça a atuação do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.